Quando se intervém no espaço público, a organização do processo criativo é fundamental. Ainda que se mantenha espaço para a improvisação, é preciso haver previamente um desenho mental do quadro a realizar e dos passos a seguir.
When you go out painting it's very important to organize your thoughts and actions. Even if you later decide to make some changes to your original ideia, you should have first a mental sketch of your final drawing and anticipate step by step the creative process.
Desde que pintámos esta parede em Novembro do ano passado (há já 8 meses!) nunca mais lá voltámos com uma máquina fotográfica. Fizemo-lo neste fim-de-semana. Pudemos então recolher imagens da transformação operada pelo tempo. Agora há ali uma passadeira para os peões atravessarem a rua em segurança. A respectiva placa de sinalização foi encostada ao muro, mesmo a poucos centímetros da pintura. Se fosse hoje, ia ser bem mais difícil desenhar nesta parede.
We paintedthis wall last November and since then we never came back with a camera in our hands. This weekend we finally took some pictures of the place and realised that some changes have occurred. Now there is a pedestrian crosswalk beside the painting and the traffic sign have been placed really close to the wall, making it quite difficult to paint today.
Eusboço, Cardinal, Rufia, Costah e El St são alguns dos mais interessantes stritartistas com quem tivemos o prazer e a honra de colaborar no último ano. Grandes Amigos! Grandes Artistas! Mais paredes virão ;D
In the last 12 months we had the honour and the pleasure of collaborating with such Street Artists as Eusboço, Cardinal, Rufia, Costah and El St. Great Artists! Great Friends! More walls are waiting for us ;D
" «Segundo as previsões da troika, a dívida pública portuguesa crescerá até 2013, ano em que chegará aos 115% do PIB. E depois? Depois, a troika apresentas cenários, uns optimistas e outros pessimistas, incluindo pelo menos um de descalabro total. A troika não sabe ao certo, e fala de riscos e incertezas. E nós sabemos? Sabemos pelo menos que a austeridade imposta em nome do serviço da dívida está a levar a economia portuguesa a uma recessão cada vez mais profunda. Sabemos também que no fim deste processo pode estar um ponto em que nem sequer a dívida é já possível servir. E se para servir a dívida for preciso destruir os sistemas de saúde, de educação de segurança social? Será esse um preço aceitável?». O debate «A dívida pode ser paga?» tem lugar a 7 de Julho às 21.00h na Associação 25 de Abril e é organizado pela Auditoria Cidadã à Dívida. Conta com a participação de Paulo Trigo Pereira (autor de “Dívida Pública e Défice Democrático”), Mariana Mortágua (co-autora de “Dívidadura”) e Ricardo Cabral (autor de “Dívida” em “XXI Ter Opinião 2012”). A moderação caberá a Ana Narciso Costa (docente do ISCTE e investigadora do Dinâmia). "
«All over the world, people are staying up late, venturing into the night, and breaking the law to say this thing to you. You don’t know them and they don’t know you. And it doesn’t matter. They just want to be heard. So they’re writing on the walls and sidewalks of the places we live. You don’t have to listen to them if you don’t want to. You can walk past the words and mistake them for vandalism. And that’s what most of us do most of the time. But if you pay attention, you’ll find a conversation worth celebrating, worth taking part in. You’ll find a conversation about things that matter. Things like love, and shit, and incest, and war. Things like monkeys, and drugs, and cheese, and toilet seats. Things like fucking, and loss, and ducks, and revenge, and theft, and Arabs, and Chinese people. Things like science, and fame, and God, and pianos, and politics, and aliens, and Jesus, and pigeons, and pancakes. Written on the city, there is a signal amidst the noise. There is conversation amidst intimate strangers. This graffiti is good.»
«... depois de o governo ter falhado todos os objectivos orçamentais da sua política, conseguindo aumentar o desemprego, diminuir as receitas fiscais e não atalhar o défice, ao mesmo tempo que destruiu grande parte da economia nacional – o primeiro-ministro Passos Coelho insista em soletrar o rumo que lhe é ditado por Berlim. A troika e Gaspar parecem plasmar a célebre fórmula: o Memorando nunca se engana, a realidade é que está errada. A reacção do governo vai ser pavloviana, apesar deste rumo nos ter trazido ao desastre, os governantes vão sublinhar a necessidade de aprofundar o caminho das “reformas estruturais” e a necessidade de fazer mais sacrifícios.
É óbvio que o falhanço do governo é apenas aparente. O executivo não quis resolver a crise económica, o seu objectivo foi usar a crise económica para fazer uma autêntica revolução conservadora, baixando abruptamente salários e destruindo o pequeno Estado Social existente. A manutenção da crise vai ser usada para forçar ainda mais esta mudança. Os nossos governantes contam, para isso, com a internacionalmente elogiada “paciência com que os portugueses estão a suportar os sacrifícios”. Ao contrário do que nos garantem, este estado de inacção será mais responsável pelo nosso desastre do que pelo nosso progresso.»
O grande mural que apresentámos na Galeria de Arte Contemporânea António Prates inspirou-se em outros semelhantes que antes pintámos em mansões devolutas. Em uma dessas intervenções, após algumas horas a trabalhar na fachada de uma casa abandonada, apareceu-nos um sem-abrigo que surpreendeu-nos dizendo que habitava aquela ruína. Talvez nem toda a gente saiba que a viver sem teto há muitos indivíduos cultos, expressam-se com desenvoltura e riqueza de vocabulário e, mesmo deambulando sem casa, conseguem ler jornais e manter-se a par do que se passa no mundo. Ficámos meia hora à conversa e, entre outras coisas, contou-nos a sua interpretação da iconografia do Dalaiama. As gotas de chuva seriam figos, e acrescentou que já tinha visto pela cidade aquela «melancia» que agora desenháramos na «sua» parede, sobrevoada por pássaros ao ar livre, rodeada de flores, pois claro, porque «a horta é bela como um jardim».