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sábado, 30 de novembro de 2013

Aumentar as fortunas de poucos com a fome da maioria


"au nom de la mansuétude chrétienne, un prêtre de l'Église anglicane, le révérend Townshend, psalmodie: Travaillez, travaillez nuit et jour; en travaillant, vous faites croître votre misère, et votre misère nous dispense de vous imposer le travail par la force de la loi. L'imposition légale du travail "donne trop de peine, exige trop de violence et fait trop de bruit; la faim, au contraire, est non seulement une pression paisible, silencieuse, incessante, mais comme le mobile le plus naturel du travail et de l'industrie, elle provoque aussi les efforts les plus puissants".
Travaillez, travaillez, prolétaires, pour agrandir la fortune sociale et vos misères individuelles, travaillez, travaillez, pour que, devenant plus pauvres, vous avez plus de raisons de travailler et d'être misérables. Telle est la loi inexorable de la production capitaliste."

"em nome da bondade cristã, um padre da Igreja Anglicana, o reverendo Townshend, prega: “Trabalhem, trabalhem noite e dia! Ao trabalharem, fazem crescer a vossa miséria e a vossa miséria dispensa-nos de vos impor o trabalho pela força da lei. A imposição legal do trabalho exige demasiado esforço, demasiada violência e faz demasiado estardalhaço; a fome, pelo contrário, não só é uma pressão calma, silenciosa, incessante, como também o móbil mais natural do trabalho e da indústria, ela provoca também os mais poderosos esforços.”
Trabalhem, trabalhem, proletários, para aumentar a fortuna social e as vossas misérias individuais, trabalhem, trabalhem, para que, tornando-vos mais pobres, tenham mais razão para trabalhar e para serem miseráveis. Eis a lei inexorável da produção capitalista."

"in the name of Christian meekness a priest of the Anglican Church, the Rev. Mr. Townshend, intones: Work, work, night and day. By working you make your poverty increase and your poverty releases us from imposing work upon you by force of law. The legal imposition of work “gives too much trouble, requires too much violence and makes too much noise. Hunger, on the contrary, is not only a pressure which is peaceful, silent and incessant, but as it is the most natural motive for work and industry, it also provokes to the most powerful efforts.”
Work, work, proletarians, to increase social wealth and your individual poverty; work, work, in order that becoming poorer, you may have more reason to work and become miserable. Such is the inexorable law of capitalist production."

Paul Lafargue

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Existir sem existir


“Mesmo se o material só durasse alguns segundos, daria à sensação o poder de existir e de se conservar em si, na eternidade que coexiste com essa curta duração. Enquanto dura o material, é de uma eternidade que a sensação desfruta nesses mesmos momentos.”

Gilles Deleuze

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

For Everyone


"I understand the reaction of people when they are not so happy to have graffiti on their walls. I want to be nice with people and I like people to be nice with me. That’s the reason also I don’t make aggressive images. You know all my images are suitable for people, for children, for everyone. Some graffiti artists want to destroy the city but I’m not like that at all. I don’t want to make sex images or stuff like that. My images are a present I make for everyone."

Blek le Rat

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

FAKE street art



"I’m not sure all the street artists are being true to themselves. They see one mural and someone does a mural just like it. I don’t mean to be critical, there are a lot of talented artists out there. Much more talented than me. But do they have something to say? And that’s really what I question. When I look at art, it has to speak to me. If it doesn’t speak to me than what is it? A beautiful portrait? If you said, “Paint me a portrait,” our waitress will paint a better portrait of you than I can. You know what I mean? It’s about the art. The art needs to speak to you, it needs to move you."

Cost (Street Artist)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Ver, pensar, estruturar, compreender


"O estilo pessoal é também a maneira de aplicar, ou não, os princípios estéticos, teóricos e morais que constituem o estilo plástico da primeira Renascença de Masolino, Masaccio, Donatello, Alberti. O estilo torna-se o modo de olhar, o modo de ver e de representar de quem pinta. É inventado o “local de onde se vê”, de onde se “tem uma perspectiva”, de onde se “ganha distância” relativamente aos objectos representados. Com a perspectiva linear, a importância desloca-se dos objectos para o sujeito de observação. Na perspectiva linear prevalece a importância do ponto de vista. O sentido da visão é sobrevalorizado relativamente às sensações tácteis ou auditivas. Com a perspectiva linear, como com a literacia, o sentido da visão é o sentido do conhecimento.

Estamos perante outra historicidade, a do privilégio absoluto da visão no mundo moderno. Não me parece que seja por acaso que, depois da descoberta da perspectiva linear pictórica, frases como “ver as coisas em perspectiva”, ou “ter uma perspectiva de” sejam sinónimo de ver as coisas à distância, ou, mais simplesmente, pensar. E não é verdade que para a civilização ocidental desde os gregos, ver é já conhecer?" 

Pedro Rosa Vieira Caldas

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O funcionamento da realidade social


"O grande artista deve aspirar a modificar o mundo. Deixando de lado a sua atividade social ou política, como pode ter um cidadão qualquer como um ideal normal de justiça, há também razões artísticas que se desprendem da sua obra, que clamam por um mundo diferente. Não como arte política ou panfletária, mas porque todo o grande artista aspira a desvendar-nos a autêntica natureza das coisas, o autêntico funcionamento da realidade, na qual se inclui a realidade social."

Antoni Tàpies

domingo, 24 de novembro de 2013

Algum dinheiro


«Life can be wonderful if you're not afraid of it. All it takes is courage, imagination... and a little dough.»

«A vida pode ser maravilhosa quando não se tem medo dela. Tudo o que é preciso é coragem, imaginação... e algum dinheiro.»

Charles Chaplin

sábado, 23 de novembro de 2013

Hat Trick





Numa madrugada de frio em Lisboa, a tinta aqueceu paredes nas Olaias. 
Momentos especialíssimos na companhia de amigos maravilhosos, gente com cérebro iluminado e coração quente. Obrigado Glória, Davi e Paula! Abraços fortes! 

Today we had GREAT moments spraying with NICE FRIENDS at Lisbon! Thanks to Glória, Paula and Davi! YOU guys really ROCK! Yeeeah!!!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Trabalho para os pobres é um favor


«Les philanthropes acclament bienfaiteurs de l'humanité ceux qui, pour s'enrichir en fainéantant, donnent du travail aux pauvres; (...) Introduisez le travail de fabrique, et adieu joie, santé, liberté; adieu tout ce qui fait la vie belle et digne d'être vécue.
Et les économistes s'en vont répétant aux ouvriers: Travaillez pour augmenter la fortune sociale! et cependant (...)
"Les travailleurs eux-mêmes, en coopérant à l'accumulation des capitaux productifs, contribuent à l'événement qui, tôt ou tard, doit les priver d'une partie de leur salaire."
Mais, assourdis et idiotisés par leurs propres hurlements, les économistes de répondre: Travaillez, travaillez toujours pour créer votre bien-être!"»

«Os filantropos proclamam benfeitores da humanidade aqueles que, para se enriquecerem na ociosidade, dão trabalho aos pobres; (...) Introduzam o trabalho de fábrica, e adeus alegria, saúde, liberdade; adeus a tudo o que fez a vida bela e digna de ser vivida.
E os economistas continuam a repetir aos operários: "Trabalhem para aumentar a fortuna social!" E, no entanto, (...)
"Os próprios trabalhadores, ao cooperarem na acumulação dos capitais produtivos, contribuem para o acontecimento que, mais tarde ou mais cedo, os deve privar de uma parte do seu salário."
Mas, ensurdecidos e tornados idiotas pelos seus próprios berros, os economistas continuam a responder: "Trabalhem, trabalhem sempre para criarem o vosso bem-estar!"»

«The philanthropists hail as benefactors of humanity those who having done nothing to become rich, give work to the poor. (...) Introduce factory work, and farewell joy, health and liberty; farewell to all that makes life beautiful and worth living. (...)
And the economists go on repeating to the laborers, “Work, to increase social wealth”, and nevertheless (...) “The laborers themselves in co-operating toward the accumulation of productive capital contribute to the event which sooner or later must deprive them of a part of their wages”. But deafened and stupefied by their own howlings, the economists answer: “Work, always work, to create your prosperity!”»

Paul Lafargue

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Two Lines of Birds


"Depois de ter andado muito tempo, [o jovem Han Fook] alcançou a nascente do rio e encontrou uma cabana de bambu, erguida em absoluto isolamento e, diante da cabana, sentado sobre um tapete de vime entrançado, o ancião que ele vira junto à margem do rio, perto da árvore. Estava sentado, tocava um alaúde, e quando viu o visitante aproximar-se respeitosamente, não se ergueu, nem o saudou; sorriu apenas e deixou os dedos macios correrem sobre as cordas, e uma música maravilhosa pairou sobre o vale como nuvem argêntea, de forma que o jovem se ergueu e quedou extasiado, e num doce encantamento esqueceu tudo o mais, até que o Mestre-da-Palavra-Perfeita pôs de lado o seu pequeno alaúde e entrou na cabana. Han Fook seguiu-o cheio de respeito, e permaneceu com ele, como seu servidor e seu discípulo.

Decorreu um mês, e ele aprendeu a desdenhar todas as canções que até então compusera, e baniu-as da sua memória. E novamente, transcorridos meses, extirpou também da memória as canções que aprendera com os seus professores na sua terra. O mestre mal trocava com ele alguma palavra; ensinava-lhe silenciosamente a arte de tanger o alaúde, até que o Ser do discípulo ficou completamente impregnado de música. Certa vez, Han Fook compôs um pequeno poema, onde descreveu o vôo de dois pássaros no céu primaveril, o qual muito lhe agradou. Não ousou mostrá-lo ao mestre, mas uma tarde cantou-o, próximo da cabana, e o mestre ouviu-o atentamente, contudo não pronunciou palavra alguma. Apenas tangeu suavemente o seu alaúde, e imediatamente o ar arrefeceu, o crepúsculo abreviou-se, um vento forte ergueu-se, apesar de ser pleno verão, e no céu já escuro perpassaram duas garças, sumptuosas nos seus volteios, num poderoso desejo de emigração; tudo isto era tão mais belo e perfeito que os versos do discípulo, que este entristeceu, e silenciou, sentindo-se inapto."

Hermann Hesse (1914) [adaptado de uma tradução de Isabel de Almeida e Sousa]


"When he had traveled for a very long time, he reached the source of the river and found a bamboo hut standing by itself in the wilderness. On a braided mat in front of the hut sat the old man whom Han Fook had seen on the bank by the tree trunk. The old man sat and played his lute, and when he saw the guest approach respectfully, he did not get up, nor did he greet him. He only smiled and let his sensitive fingers play over the strings. A magic music flowed like a silver cloud through the valley, so that the young man stood in wondering astonishment and forgot everything else until the Master of the Perfect Word put aside his small lute and stepped into his hut. So Han Fook followed him with awe and remained with him as his servant and pupil. 

A month passed, and Han Fook had learned to despise all poems which he had written before. He erased them from his memory. And after a few more months he erased even those poems from his memory which he had learned from his teachers at home. The Master spoke hardly a word with him. Silently, he taught Han Fook the art of lute playing until the very being of the pupil was filled with music. Once Han Fook composed a small poem, in which he described the flight of two birds across the autumnal sky, a poem which pleased him quite well. He didn’t dare show it to the Master, but one evening he sang it near the hut. The Master heard it well but said not a word. He only played softly on his lute. Immediately the air became cool and the darkness increased; a sharp wind arose even though it was the middle of summer. Across the sky, which had now become gray, flew two lines of birds in their mighty yearning for new lands. All of this was so much more beautiful and perfect than the verses of the pupil, that Han Fook became sad and silent, and felt himself worthless."

Hermann Hesse (1914) [translated by Denver Lindley]