« A prática do graffiti não é realizada ao acaso ou de forma caótica. Existem regras que permitem estruturar a comunidade e as suas formas de agir. As regras, aceites de forma relativamente consensual, enunciam os critérios de avaliação das obras e do estilo, o valor dos diferentes spots ou os territórios de acção. Apesar das alterações que se registaram ao longo das últimas décadas, no interior desta cultura, algumas normas e procedimentos mantêm-se praticamente inalterados, sendo transmitidos de geração em geração. Assim, existe uma ética interna, respeitada pela grande maioria dos writers, que define como e onde pintar. É relativamente consensual a ideia que de existem locais proibidos (como sejam os monumentos) ou que a obra de outro writer não deve ser crossada, excepto em situações muito particulares. Pertencer à comunidade writer passa, então, por aceitar as regras implícitas do movimento. »
Ricardo Campos (antropólogo)