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sexta-feira, 9 de maio de 2008

Elogio Fúnebre

Recebemos a triste notícia de que um belo mural num spot arriscado na zona de Cascais foi cruelmente coberto com tinta branca.

O petiz pouco durou, escassos seis meses foi o quanto lhe foi dado existir, nem teve tempo de aprender a engatinhar, tão belo o mural, com tintas cor-de-rosa, azuis e amarelas, tons de poesia, irradiando uma bondade colorida capaz de fazer chorar flores e colibris!

Qual a razão para um tal vandalismo institucional sobre uma obra de arte que na sua inocência mais pura nada mais fazia a não ser irradiar luz num canto esmaecido do planeta colectivo? A parede, essa, ninguém dava por ela até receber o beijo esplendoroso da cor! Agora, descolorida, voltou a ser invisível...

A breve existência da pintura amiga de todos foi atormentada pela corrupção de um mundo vil que só terminará quando se tiver cumprido a profecia do completo genocídio das paredes brancas vigiadas por cidadãos cegos e hipnotizados e polícias em fardas imaculadas!

Aerossoliemos! Amén!

http://www.flickr.com/photos/dalaiama

2 comentários:

IS disse...

boa oração!
AMEN

rapariga vermelha disse...

Realmente...
Lembro-me de um mural gigantesco do MRPP que existia na av. 24 de Julho. Era um mural político. Concordando-se ou não com o que ali estava representado, a verdade é que era um trabalho magnífico e a marca de um tempo. Era património.
Depois resolveram destruir o dito mural sob o argumento de que era poluição visual.
Alguns meses depois foi afixada uma tela gigantesca publicitando uma marca de cerveja. Essa tela foi mais tarde substituída por outra, depois por outra, e sempre que passo encontro o mais recente anúncio dessa marca de cerveja.
Nunca ninguém se insurgiu contra a poluição visual E AMBIENTAL que representam aquelas telas.
Claro que o Lenine, o Marx e o Mao Tsé Tung incomodam muito mais que as imagens das garrafas de cerveja.
Claro que a expressão livre incomoda essa gente que quer transformar tudo em mercadoria e que até se dão ao luxo de decidir o que podem ou não os nossos olhos ver.