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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

37 assassinadas em 2013


" Da violência sobre as mulheres muito se diz, particularmente quando os números e as imagens nos mostram diariamente a violência mais visível, a que deixa marcas no corpo. Mas a violência contra as mulheres não se subsume apenas a uma questão biológica. É muito mais do que isso. É essencialmente mais do que isso.
(...)
De acordo com dados do INE referentes ao 3º trimestre de 2013:
A taxa de actividade das mulheres é de 54,8% e a dos homens, 66,3%;
A taxa de desemprego das mulheres situa-se nos 15,9% enquanto que a dos homens está nos 15,3%, para uma média estimada de 15,6%;
A taxa de inactividade das mulheres é de 45,2% e a dos homens, 33,7%.

«Em 2012, o peso da população empregada com o ensino superior mantém‐se mais elevado entre as mulheres do que os homens (25,1 % face a 16,1 %, respectivamente), sucedendo o mesmo com o nível de ensino secundário e pós‐secundário (22,7 % do emprego feminino detém este nível de habilitação face a 19,8 % do emprego masculino).

Segundo os dados dos Quadros de Pessoal de 2011, independentemente de serem as mulheres que possuem os níveis de habilitação mais elevados, são as categorias que correspondem a um nível de qualificação mais baixo aquelas que apresentam uma taxa de feminização mais elevada, ou seja, as relativas aos grupos “profissionais semi-qualificados” (58,5 % são mulheres), “não qualificados” (54,7 % são mulheres) e “praticantes e aprendizes” (51,4 % são mulheres). (…)

Em 2011, e segundo os dados dos quadros de pessoal, os elementos relativos à população trabalhadora por conta de outrem a tempo completo, em Portugal, mostram que a diferença salarial entre homens e mulheres é outra característica a realçar, dado que as mulheres auferem cerca de 82% da remuneração média mensal de base dos homens ou, se falarmos de ganho médio mensal (que contém outras componentes do salário, tais como compensação por trabalho suplementar, prémios e outros benefícios, geralmente de carácter discricionário), 79,1 %.» (Dados do Relatório sobre o Progresso da Igualdade entre Mulheres e Homens no Trabalho, no Emprego e na Formação Profissional – 2012 da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego).

Fora do contexto laboral, a violência contra as mulheres é exercida de formas cada vez mais aviltantes, correspondendo também essas formas ao agudizar da luta de classes.

O tráfico de seres humanos para fins de exploração sexual e laboral tem vindo a crescer, como cresce o conceito que lhe está associado de que tudo é transaccionável, incluindo a vida. No tráfico, tal como na exploração na prostituição, as mulheres (...), são desprovidas de qualquer humanidade e utilizadas com o propósito do lucro, do negócio que se faz à custa da venda do seu corpo. (...)

A violência exercida sobre as mulheres com políticas de baixos salários, de aumento do horário de trabalho (impedindo a fundamental articulação do tempo de trabalho com o tempo de não trabalho: família, participação política e social), de precariedade (que torna a própria vida precária), entre tantas outras que são pedra de toque dos governos dos últimos (pelo menos) 30 anos, são causas e consequências de outros tipos de violência mais visível como é a violência doméstica que mata dezenas de mulheres por ano e não encontra no sistema público a resposta nem de prevenção nem sequer de protecção (e como se o apoio jurídico não está garantido e o acesso à justiça e tribunais lhes – nos – é vedado por questões económicas?). "

Lúcia Gomes

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Preguiçosos, orgulhosos e independentes


«"Plus mes peuples travailleront, moins il y aura de vices, écrivait d'Osterode, le 5 mai 1807, Napoléon. Je suis l'autorité [...] et je serais disposé à ordonner que le dimanche, passé l'heure des offices, les boutiques fussent ouvertes et les ouvriers rendus à leur travail."
Pour extirper la paresse et courber les sentiments de fierté et d'indépendance qu'elle engendre»

«"Quanto mais os meus povos trabalharem, menos vícios existirão, escrevia Napoleão de Osterode no dia 5 de Maio de 1807, eu sou a autoridade [...] e estaria disposto a ordenar que ao domingo, passada a hora dos ofícios divinos, as lojas estivessem abertas e os operários fossem para o seu trabalho."
Para extirpar a preguiça e curvar os sentimentos de orgulho e de independência que esta gera»

«“The more my people work, the less vices they will have”, wrote Napoleon on May 5th, 1807, from Osterod. “I am the authority ... and I should be disposed to order that on Sunday after the hour of service be past, the shops be opened and the laborers return to their work.” To root out laziness and curb the sentiments of pride and independence which arise from it»

Paul Lafargue

domingo, 29 de dezembro de 2013

2014 a chegar


"O que nos espera em 2014 é a convergência de várias dinâmicas interligadas: o regresso à espiral depressiva (...); a degradação das contas do sistema bancário e a aproximação de mais resgates; a aceleração dos efeitos bola de neve (juros crescentes) e "denominador" (diminuição do produto), que farão disparar o peso da dívida pública; a desconfiança dos mercados financeiros relativamente à dívida de uma economia deprimida; a continuação da emigração em grande escala; a exasperação de algum protesto social face à inexistência de alternativa política."

Jorge Bateira

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Stickers Ready to Print #7

(Just as we did before, today we publish some more stickers that are available for you to print)

"O comércio livre é um embuste. Pensa que, nos mares, um tubarão e uma sardinha querem comerciar livremente? É impossível. O tubarão há-de comer sempre a sardinha… O comércio livre é um regresso ao velho sistema das origens da colonização, há 500 anos, quando se trocavam pequenos espelhos por pepitas de ouro. Nós temos de consolidar uma zona económica complementar e diversa, com os seus próprios mecanismos financeiros e monetários, de modo a tornar-se um poderoso bloco económico sul-americano. E, com base nisto, estabelecer relações comerciais e económicas com a Rússia, a Índia, a China e a África do Sul, bem como redefinir as nossas relações com a União Europeia e os Estados Unidos. Para que não voltem a fazer-nos desempenhar o papel de colónia."

Nicolás Maduro (presidente da República Bolivariana da Venezuela)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Os portugueses são dos que mais trabalham

http://www.youtube.com/watch?v=_Io--Cax1KU

"No segundo país com mais desigualdades da UE, Portugal, esmagam-se salários e pensões aos trabalhadores, que em média já ganhavam dos mais baixos de entre os Estados do euro, sendo também dos que mais horas trabalham e mais tarde se reformam. (...)

[os alemães] são os maiores beneficiários da moeda europeia. (...) Eles julgam que nos estão a "dar" dinheiro, quando na realidade a Alemanha está a ganhar elevados juros pelo que nos empresta.

(...) As contas que esquecem o bem-estar dos povos são contas furadas. Queremos mais Europa, mas uma Europa solidária e com mais controle democrático. Mas a Europa é julgada pelos seus resultados: cautela! Há cada vez mais portugueses desiludidos com a UE e a democracia!"

Ana Gomes

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Traz outra chave também


Foi hoje de manhãzinha, o sol nascia oculto pela chuva, procurando nos bolsos sem encontrar a chave, tivemos de desenhar uma para entrar em casa ;)

This was a sweet colourful morning! You can come along, just bring your key, unlock your dreams and welcome home!

sábado, 21 de dezembro de 2013

Solstício de Inverno





New stickers were produced today, and every each of them shine with different colours!
The longest night of the year is definitely going to be cold. Let's celebrate this year's winter solstice fighting cold with cold: choose your favourite flavour and lick an ice cream ;)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Guincho: Almost Six Years Have Passed



Generosos são os frequentadores da praia do Guincho, por virem a permitir que esta pintura (que aqui vemos na noite em que foi pintada e agora quase seis anos depois) tenha resistido por mais de 2.000 dias. 

Entretanto já foi vista por milhares de pessoas, uma vasta comunidade de visitantes que tem o bom gosto de apreciar uma das praias mais ocidentais do continente europeu. 

Quem guarda uma relação íntima com o nosso Concelho sabe: são ondas, vento, sal e areias plenas de recordações e significado para todos os cascalenses.

Thanks to all its visitors, Guincho's Beach has been keeping this painting for more than 2,000 days. For street artists who want to communicate with the people, it's quite touching! It's nice to see that this offer to the community has been kindly accepted. Thank you all!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Reterritorializar


"A paisagem urbana ganha de súbito essa via, essa fresta por onde o esquecido cotidianamente e o ignorado são restituídos pela intervenção artística. A morfogênese da obra nunca está terminada nem limitada, ela prolonga-se imprevisivelmente quando esbarra nas pessoas. Estas, podem querer ou não embrenhar-se através dessa fresta e descobrir, ao mesmo tempo que os seus devires minoritários, uma cidade em instalação, em via de nascer, que não é ainda a cidade do dia-a-dia nem possui uma forma estável, mas é uma forma em formação, uma idéia de cidade que ajuda a justificar e a manter o lugar em que vivem. A desterritorialização atinge vários; a reterritorialização apenas alguns."

Renata Moreira Marquez (arquiteta)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Strawberry, Chocolate and Vanilla


Dois bons amigos vieram-nos oferecer uns restos de tinta plástica que tinham em casa. Juntos, o tom da pele da pantera cor-de-rosa, com o de ameixas escuras e a matiz do marfim, somam pouco mais de 4 litros de tinta que serão muito úteis para colorir a cidade. Dispostas lado a lado, as cores fazem lembrar um gelado com três sabores: morango, chocolate e baunilha ;) Obrigado Viver-de-Luz Crew! Abraços do coração!

A couple of old friends has just visited the atelier. They had found at home a few galons of paint that they were not going to use anymore. So they offered us those colours. When put together, they look like a three flavour ice cream (strawberry, chocolate and vanilla).
Thanks to GoVegan and StarCat! We love you guys! ;D

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Só a Luta faz sentido


A principal causa da crise de 2008, cujas consequências ainda sofremos na pele, não foram as dívidas das famílias de assalariados, que simplesmente vivem dos rendimentos do seu trabalho, nem tampouco as despesas do Estado Social.

A desregulação do mercado capitalista, essa sim, conduziu à corrupção e aos excessos dos sistemas financeiros europeu e mundial. A doutrina neoliberal do capitalismo voraz deu plena liberdade às instituições de crédito, que se especializaram na especulação gananciosa, nos embustes dos produtos tóxicos, nas falcatruas do dinheiro fácil, no enriquecimento ilícito de uma minoria abastada, desonesta e egoísta.

Arruinados, os banqueiros e demais tubarões do sistema financeiro foram socorridos com o dinheiro de todos nós, contribuintes, cidadãos trabalhadores e honrados. Foram os povos, através dos seus governantes, que entregaram aos bancos, sem contrapartidas, partes significativas das riquezas coletivas. Milhares de milhões de euros, que as classes médias e os mais pobres ofereceram aos mais ricos! Dinheiro sem retorno.

Deste modo, os Estados endividaram-se para garantir os privilégios e a opulência de uma classe dominante corrupta. Vêm então os banqueiros, cinicamente, emprestar-nos o dinheiro que lhes demos de mão beijada. Emprestam-nos o nosso próprio dinheiro, a nossa própria riqueza, produto do nosso trabalho e esforço! Ainda por cima, cobrando juros altíssimos, asfixiando as economias, os empregos, a produção, o consumo, as famílias... 

Parvos somos nós se persistirmos no erro de aceitar que nos destruam as vidas, enquanto uma minoria gargalha dentro de palácios luxuosos. À nossa custa.

domingo, 15 de dezembro de 2013

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Aprender é natural


"All you beginners Stay Up, we were all "toys" at one time".

Julius Cavero, T-KID (or Terrible T-KID 170 a graffiti legend from the Bronx)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Tributo a Tikone


Brazilian Street Artist Tikone and Dalaiama share a wall in Cascais. 
Listen to the power of euros and music ;) Yeah!
ABRAÇO :D

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Money: de onde vem e para onde vai?


«The person who doesn’t know where his next dollar is coming from, usually doesn’t know where his last dollar went.»

Unknown

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Suficiente sempre É


"A vida como é vivida a cada momento, a cada respiração, a cada piscar de olhos, a cada batimento do coração, é a única coisa que me importa.
Este acontecimento inexplicável, inexprimível, indecifrável a que se chama vida é o meu único interesse, fora disto nada mais existe, antes de isto também não, e isto é o que é como é…
E mesmo Isto…
Nenhuma descrição se aplica, nenhuma teoria, filosofia, explicação…
É!
E o que É, É sempre suficiente! Mesmo quando a mente diz que não…"


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Mandela e as lágrimas de crocodilo


"Nelson Mandela morreu. Tornou-se um ícone, um símbolo unanimemente celebrado pelo mundo fora. No entanto… Quem se recorda das décadas em que a França, de Charles de Gaulle a Valéry Giscard d’Estaing, cooperava com o regime do Apartheid? Quem se recorda de a Amnistia Internacional não o ter adaptado como prisioneiro de consciência por ele não ter rejeitado a violência? Ou que ele foi um «terrorista», denunciado como tal por Ronald Reagan e Margaret Thatcher, porque ele sabia que a violência faz parte das armas dos oprimidos para derrubar o opressor?"

Achille Mbembe


domingo, 8 de dezembro de 2013

Capitalismo: a anarquia do mais forte


"O capitalismo é o reino da anarquia. E quando a anarquia domina o campo económico quem vence é o mais forte, isto é, o capital financeiro. Hoje, por exemplo, quem é que governa realmente a Europa? O capitalismo financeiro. No interior da União Europeia, os mercados financeiros estão a desmantelar o Estado-providência construído depois da Segunda Guerra Mundial. Na Venezuela não. Nós estamos a reforçar o nosso governo económico para edificar o socialismo. Para que deve servir a economia? Para garantir aos cidadãos o acesso a cuidados de saúde, à escola gratuita, à alimentação, à habitação… E a quem devemos nós esta consciência dos direitos universais? À Revolução Francesa e ao Iluminismo, que chegaram até nós, adaptados à mestiçagem latino-americana, graças a Simón Rodríguez e a Bolívar. Isto faz parte do património fundamental da humanidade. Mesmo que o capital financeiro o ignore radicalmente."

Nicolás Maduro (presidente da República Bolivariana da Venezuela)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Escola Pública e Serviço Nacional de Saúde


"É sabido como a qualidade e a universalidade da escola pública e do SNS portugueses têm sido responsáveis pelas melhores evoluções registadas em democracia. Mas infelizmente, em vez de apostar nestes sectores como motor de crescimento, o governo insiste em demonstrar que é possível retroceder, e depressa, até níveis de saúde e de formação que já imaginávamos impossíveis e que traduzem uma rota de subdesenvolvimento."

Sandra Monteiro

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Goodbye Nelson Mandela


"I see the situation in South Africa as a microcosm of the world. The extreme gap between rich and poor. (...)

South Africa, as a society is lost. But in fact I see that everywhere I travel to. It is such a global problem. (...) Consumerism and the rise of the global corporate and military superpowers have devalued the powers of government. The media that reaches us through conventional channels is biased and fits the military and corporate agendas.

(...)

Many people in South Africa, although they respect Mandela, are very aware of the sunset clauses that he signed which meant that some of the key aims stated in the freedom charter document were never met. This allowed for the country to change in terms of racial equality, but it also allowed for wealth to stay in the same hands. There was no real actual socialist implementation, which is what the country desperately needed.

That is why you can find things like luxurious hotels in Cape Town called the Mandela Rhodes Hotel. The symbolism of the two names together is self-evident. They both allowed the wealth of South Africa to stay with the elite.

Despite this, one sees that he was in a difficult position and under a lot of pressure. The peaceful handover of power is a great thing, but the subsequent rate of violent crime in the country is also a result of the economic distress felt by the majority of people. So I can say that we all wish him a peaceful passing from this realm into the next and many blessings on his journey. But the country will keep going in its dysfunctional manner, like a lover breaking our hearts whom we can’t stop loving."

Faith47

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Doing Graffiti for the Hate for It


"I can speak for REVS on this as well: Neither of us did graffiti for the love of graffiti. It was more like we actually didn’t like it. We probably hated it. It was just self-expression and it was pure. We were just pouring our heart and soul into the streets, and people can take it or leave it. A lot of people didn’t appreciate it then. But now a lot of people look back and (...) recognize that what we meant was true. (...) What we did was true, was being true to ourselves."

Cost (Street Artist)

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Not Afraid of Criticism


«It is great to bounce off ideas off those around you because it allows you to grow and not be afraid of criticism.»

PaperMonster

domingo, 1 de dezembro de 2013

Tonalidade (dimensões da cor #1)


A primeira dimensão da cor é a que lhe dá o nome: tonalidade (ou tom, ou matiz, ou tinta) é a característica mais evidente de uma cor, a que à primeira vista a identifica como sendo "vermelha", ou "azul", ou "amarela", etc.

A Física explica-nos cientificamente este fenómeno: o comprimento de onda dominante e a sua respectiva localização no espectro, são expressos como título da cor. 

sábado, 30 de novembro de 2013

Aumentar as fortunas de poucos com a fome da maioria


"au nom de la mansuétude chrétienne, un prêtre de l'Église anglicane, le révérend Townshend, psalmodie: Travaillez, travaillez nuit et jour; en travaillant, vous faites croître votre misère, et votre misère nous dispense de vous imposer le travail par la force de la loi. L'imposition légale du travail "donne trop de peine, exige trop de violence et fait trop de bruit; la faim, au contraire, est non seulement une pression paisible, silencieuse, incessante, mais comme le mobile le plus naturel du travail et de l'industrie, elle provoque aussi les efforts les plus puissants".
Travaillez, travaillez, prolétaires, pour agrandir la fortune sociale et vos misères individuelles, travaillez, travaillez, pour que, devenant plus pauvres, vous avez plus de raisons de travailler et d'être misérables. Telle est la loi inexorable de la production capitaliste."

"em nome da bondade cristã, um padre da Igreja Anglicana, o reverendo Townshend, prega: “Trabalhem, trabalhem noite e dia! Ao trabalharem, fazem crescer a vossa miséria e a vossa miséria dispensa-nos de vos impor o trabalho pela força da lei. A imposição legal do trabalho exige demasiado esforço, demasiada violência e faz demasiado estardalhaço; a fome, pelo contrário, não só é uma pressão calma, silenciosa, incessante, como também o móbil mais natural do trabalho e da indústria, ela provoca também os mais poderosos esforços.”
Trabalhem, trabalhem, proletários, para aumentar a fortuna social e as vossas misérias individuais, trabalhem, trabalhem, para que, tornando-vos mais pobres, tenham mais razão para trabalhar e para serem miseráveis. Eis a lei inexorável da produção capitalista."

"in the name of Christian meekness a priest of the Anglican Church, the Rev. Mr. Townshend, intones: Work, work, night and day. By working you make your poverty increase and your poverty releases us from imposing work upon you by force of law. The legal imposition of work “gives too much trouble, requires too much violence and makes too much noise. Hunger, on the contrary, is not only a pressure which is peaceful, silent and incessant, but as it is the most natural motive for work and industry, it also provokes to the most powerful efforts.”
Work, work, proletarians, to increase social wealth and your individual poverty; work, work, in order that becoming poorer, you may have more reason to work and become miserable. Such is the inexorable law of capitalist production."

Paul Lafargue

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Existir sem existir


“Mesmo se o material só durasse alguns segundos, daria à sensação o poder de existir e de se conservar em si, na eternidade que coexiste com essa curta duração. Enquanto dura o material, é de uma eternidade que a sensação desfruta nesses mesmos momentos.”

Gilles Deleuze

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

For Everyone


"I understand the reaction of people when they are not so happy to have graffiti on their walls. I want to be nice with people and I like people to be nice with me. That’s the reason also I don’t make aggressive images. You know all my images are suitable for people, for children, for everyone. Some graffiti artists want to destroy the city but I’m not like that at all. I don’t want to make sex images or stuff like that. My images are a present I make for everyone."

Blek le Rat

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

FAKE street art



"I’m not sure all the street artists are being true to themselves. They see one mural and someone does a mural just like it. I don’t mean to be critical, there are a lot of talented artists out there. Much more talented than me. But do they have something to say? And that’s really what I question. When I look at art, it has to speak to me. If it doesn’t speak to me than what is it? A beautiful portrait? If you said, “Paint me a portrait,” our waitress will paint a better portrait of you than I can. You know what I mean? It’s about the art. The art needs to speak to you, it needs to move you."

Cost (Street Artist)

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Ver, pensar, estruturar, compreender


"O estilo pessoal é também a maneira de aplicar, ou não, os princípios estéticos, teóricos e morais que constituem o estilo plástico da primeira Renascença de Masolino, Masaccio, Donatello, Alberti. O estilo torna-se o modo de olhar, o modo de ver e de representar de quem pinta. É inventado o “local de onde se vê”, de onde se “tem uma perspectiva”, de onde se “ganha distância” relativamente aos objectos representados. Com a perspectiva linear, a importância desloca-se dos objectos para o sujeito de observação. Na perspectiva linear prevalece a importância do ponto de vista. O sentido da visão é sobrevalorizado relativamente às sensações tácteis ou auditivas. Com a perspectiva linear, como com a literacia, o sentido da visão é o sentido do conhecimento.

Estamos perante outra historicidade, a do privilégio absoluto da visão no mundo moderno. Não me parece que seja por acaso que, depois da descoberta da perspectiva linear pictórica, frases como “ver as coisas em perspectiva”, ou “ter uma perspectiva de” sejam sinónimo de ver as coisas à distância, ou, mais simplesmente, pensar. E não é verdade que para a civilização ocidental desde os gregos, ver é já conhecer?" 

Pedro Rosa Vieira Caldas

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

O funcionamento da realidade social


"O grande artista deve aspirar a modificar o mundo. Deixando de lado a sua atividade social ou política, como pode ter um cidadão qualquer como um ideal normal de justiça, há também razões artísticas que se desprendem da sua obra, que clamam por um mundo diferente. Não como arte política ou panfletária, mas porque todo o grande artista aspira a desvendar-nos a autêntica natureza das coisas, o autêntico funcionamento da realidade, na qual se inclui a realidade social."

Antoni Tàpies

domingo, 24 de novembro de 2013

Algum dinheiro


«Life can be wonderful if you're not afraid of it. All it takes is courage, imagination... and a little dough.»

«A vida pode ser maravilhosa quando não se tem medo dela. Tudo o que é preciso é coragem, imaginação... e algum dinheiro.»

Charles Chaplin

sábado, 23 de novembro de 2013

Hat Trick





Numa madrugada de frio em Lisboa, a tinta aqueceu paredes nas Olaias. 
Momentos especialíssimos na companhia de amigos maravilhosos, gente com cérebro iluminado e coração quente. Obrigado Glória, Davi e Paula! Abraços fortes! 

Today we had GREAT moments spraying with NICE FRIENDS at Lisbon! Thanks to Glória, Paula and Davi! YOU guys really ROCK! Yeeeah!!!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Trabalho para os pobres é um favor


«Les philanthropes acclament bienfaiteurs de l'humanité ceux qui, pour s'enrichir en fainéantant, donnent du travail aux pauvres; (...) Introduisez le travail de fabrique, et adieu joie, santé, liberté; adieu tout ce qui fait la vie belle et digne d'être vécue.
Et les économistes s'en vont répétant aux ouvriers: Travaillez pour augmenter la fortune sociale! et cependant (...)
"Les travailleurs eux-mêmes, en coopérant à l'accumulation des capitaux productifs, contribuent à l'événement qui, tôt ou tard, doit les priver d'une partie de leur salaire."
Mais, assourdis et idiotisés par leurs propres hurlements, les économistes de répondre: Travaillez, travaillez toujours pour créer votre bien-être!"»

«Os filantropos proclamam benfeitores da humanidade aqueles que, para se enriquecerem na ociosidade, dão trabalho aos pobres; (...) Introduzam o trabalho de fábrica, e adeus alegria, saúde, liberdade; adeus a tudo o que fez a vida bela e digna de ser vivida.
E os economistas continuam a repetir aos operários: "Trabalhem para aumentar a fortuna social!" E, no entanto, (...)
"Os próprios trabalhadores, ao cooperarem na acumulação dos capitais produtivos, contribuem para o acontecimento que, mais tarde ou mais cedo, os deve privar de uma parte do seu salário."
Mas, ensurdecidos e tornados idiotas pelos seus próprios berros, os economistas continuam a responder: "Trabalhem, trabalhem sempre para criarem o vosso bem-estar!"»

«The philanthropists hail as benefactors of humanity those who having done nothing to become rich, give work to the poor. (...) Introduce factory work, and farewell joy, health and liberty; farewell to all that makes life beautiful and worth living. (...)
And the economists go on repeating to the laborers, “Work, to increase social wealth”, and nevertheless (...) “The laborers themselves in co-operating toward the accumulation of productive capital contribute to the event which sooner or later must deprive them of a part of their wages”. But deafened and stupefied by their own howlings, the economists answer: “Work, always work, to create your prosperity!”»

Paul Lafargue

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Two Lines of Birds


"Depois de ter andado muito tempo, [o jovem Han Fook] alcançou a nascente do rio e encontrou uma cabana de bambu, erguida em absoluto isolamento e, diante da cabana, sentado sobre um tapete de vime entrançado, o ancião que ele vira junto à margem do rio, perto da árvore. Estava sentado, tocava um alaúde, e quando viu o visitante aproximar-se respeitosamente, não se ergueu, nem o saudou; sorriu apenas e deixou os dedos macios correrem sobre as cordas, e uma música maravilhosa pairou sobre o vale como nuvem argêntea, de forma que o jovem se ergueu e quedou extasiado, e num doce encantamento esqueceu tudo o mais, até que o Mestre-da-Palavra-Perfeita pôs de lado o seu pequeno alaúde e entrou na cabana. Han Fook seguiu-o cheio de respeito, e permaneceu com ele, como seu servidor e seu discípulo.

Decorreu um mês, e ele aprendeu a desdenhar todas as canções que até então compusera, e baniu-as da sua memória. E novamente, transcorridos meses, extirpou também da memória as canções que aprendera com os seus professores na sua terra. O mestre mal trocava com ele alguma palavra; ensinava-lhe silenciosamente a arte de tanger o alaúde, até que o Ser do discípulo ficou completamente impregnado de música. Certa vez, Han Fook compôs um pequeno poema, onde descreveu o vôo de dois pássaros no céu primaveril, o qual muito lhe agradou. Não ousou mostrá-lo ao mestre, mas uma tarde cantou-o, próximo da cabana, e o mestre ouviu-o atentamente, contudo não pronunciou palavra alguma. Apenas tangeu suavemente o seu alaúde, e imediatamente o ar arrefeceu, o crepúsculo abreviou-se, um vento forte ergueu-se, apesar de ser pleno verão, e no céu já escuro perpassaram duas garças, sumptuosas nos seus volteios, num poderoso desejo de emigração; tudo isto era tão mais belo e perfeito que os versos do discípulo, que este entristeceu, e silenciou, sentindo-se inapto."

Hermann Hesse (1914) [adaptado de uma tradução de Isabel de Almeida e Sousa]


"When he had traveled for a very long time, he reached the source of the river and found a bamboo hut standing by itself in the wilderness. On a braided mat in front of the hut sat the old man whom Han Fook had seen on the bank by the tree trunk. The old man sat and played his lute, and when he saw the guest approach respectfully, he did not get up, nor did he greet him. He only smiled and let his sensitive fingers play over the strings. A magic music flowed like a silver cloud through the valley, so that the young man stood in wondering astonishment and forgot everything else until the Master of the Perfect Word put aside his small lute and stepped into his hut. So Han Fook followed him with awe and remained with him as his servant and pupil. 

A month passed, and Han Fook had learned to despise all poems which he had written before. He erased them from his memory. And after a few more months he erased even those poems from his memory which he had learned from his teachers at home. The Master spoke hardly a word with him. Silently, he taught Han Fook the art of lute playing until the very being of the pupil was filled with music. Once Han Fook composed a small poem, in which he described the flight of two birds across the autumnal sky, a poem which pleased him quite well. He didn’t dare show it to the Master, but one evening he sang it near the hut. The Master heard it well but said not a word. He only played softly on his lute. Immediately the air became cool and the darkness increased; a sharp wind arose even though it was the middle of summer. Across the sky, which had now become gray, flew two lines of birds in their mighty yearning for new lands. All of this was so much more beautiful and perfect than the verses of the pupil, that Han Fook became sad and silent, and felt himself worthless."

Hermann Hesse (1914) [translated by Denver Lindley]


domingo, 17 de novembro de 2013

Domingos separados

"Os Beatles na vitrola enchiam de paixão
as tardes de domingo e sal
a gente faz de conta e sempre diz que não
mas só o amor é que é fatal
Desenha na aquarela
a face sincera do teu sonho
meus amigos separados me falaram
que o amor anda mal
Aí seja sincera
eu não tou propondo baixo astral
mas já não acho a professora mais bonita
e o meu pai o maioral
E você tem horror à minha vocação
de James Dean, cafona e normal
os Beatles na vitrola enchiam de paixão
e só o amor é que é fatal"

Oswaldo Montenegro

sábado, 16 de novembro de 2013

CORAGEM no COMBATE a um futuro de miséria e subdesenvolvimento


" A crise financeira iniciada em 2008 deu aos neoliberais o pretexto para um salto de gigante na reconfiguração do Estado. Depois de criar um problema de dívida pública com salvamentos bancários (...). Sobretudo com a actual maioria no governo, totalmente identificada com o projecto austeritário, o desmantelamento do Estado social, a desvalorização do trabalho, o aumento do desemprego e da emigração, e o empobrecimento e a recessão aprofundaram-se a níveis impossíveis de imaginar numa democracia que não tivesse caído na armadilha do «regime de emergência». O garrote de uma dívida que cresce perpetuamente e o dos tratados e compromissos internacionais (actuais e futuros) garantem décadas de miséria e subdesenvolvimento. Tudo para alimentar o sistema financeiro e os negócios privados que crescerão à sombra de um Estado «libertado» das suas arreliantes finalidades colectivas.

O Orçamento do Estado para 2014 (...) é justamente a sagração deste projecto que considera que o Estado é desperdiçado na população. Mantém todas as receitas da via austeritária, que não cumprem nenhum dos objectivos proclamados, e aprofunda-as (...). Ao criar esse «Estado paralelo» (...), que dependerá do dinheiro público para prosseguir fins privados, os neoliberais pensam conseguir, por fim, colocar uma sociedade cada vez mais desigual perante a experiência prática de serviços públicos sem qualidade (quando existem). Isto alimentará uma profunda desconfiança dos cidadãos na esfera pública, na democracia.

(...) Desde a década de 1980 que o neoliberalismo está a ganhar força contra o bem-estar comum. Aqui chegados, não podem ser adiadas respostas corajosas que lhe abalem as estruturas e o façam soçobrar. Quem não tiver esta coragem limitar-se-á a tentar gerir uma tragédia ingerível."

Sandra Monteiro

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Quem passou por nós


"Mas quem somos nós senão os outros? Um homem é todas as cousas que ele viu e todas as pessoas que passaram por ele, nesta vida."

Teixeira de Pascoaes

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Continuaremos a sustentar lucros privados com dinheiros públicos?


" Estávamos na década de 1980 e as primeiras experiências neoliberais, indissociáveis dos governos de Aníbal Cavaco Silva, sonhavam com a constituição de um mercado privado que canalizasse os recursos dos cidadãos. (...) Como levar os cidadãos a pagar no privado o que recebiam no público, com qualidade e «gratuitamente»?

(...) Como os sectores que prometiam lucros mais seguros, além dos ligados aos monopólios naturais, eram os da educação, saúde, segurança social, esse período foi marcado por fortes ataques ideológicos ao público, com campanhas intensas sobre os seus desempenhos e com os primeiros incentivos à dualização dos sistemas, traduzidos na eliminação progressiva da gratuitidade (propinas, taxas) e depois com as tentativas de plafonamentos.

(...)

Em países como Portugal, os neoliberais cedo aprenderam que as simples privatizações eram negócios muito arriscados. As novas universidades privadas faliam umas atrás das outras, os doentes continuavam a confiar mais nos hospitais públicos, a opção pelos seguros de pensões permanecia aquém do desejável para os negócios prosperarem. (...)

(...) O Estado pode ser maior ou menor, pode até ser reduzido ao mínimo, mas não é para eliminar, porque pode ser muito útil para colocar as populações e os seus recursos ao serviço de finalidades privadas.

O processo de captura do Estado assenta em vários tipos de engenharias neoliberais. Nas suas diferentes formas, que vão das parcerias público-privadas aos contratos de associação, passando pelas formas de empresarialização de sectores públicos, o que estas engenharias têm em comum é a capacidade para sustentar negócios privados com subsídios, rendas, contratos e todo o tipo de facilidades que lesam o interesse público e tornam o Orçamento do Estado incapaz de satisfazer as missões centradas no bem comum."

Sandra Monteiro

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Nós europeus somos o Mar de sangue do Mediterrâneo


"Há trinta anos, fugir do sistema político opressivo do seu país valia aos candidatos ao exílio os elogios dos países ricos e da imprensa. Nessa altura considerava-se que os refugiados haviam «escolhido a liberdade», isto é, o Ocidente. Assim, um museu em Berlim honra a memória dos cento e trinta e seis fugitivos que pereceram entre 1961 e 1989, quando tentavam transpor o muro que dividia a cidade em dois.

As centenas de milhares de sírios, somalis e eritreus que, neste momento, «escolhem a liberdade» não são acolhidos com o mesmo fervor. (...)

A sua morte parece ter inspirado alguns responsáveis políticos europeus. No passado dia 15 de Outubro, Brice Hortefeux, antigo ministro do Interior francês, considerou (...) que os náufragos de Lampedusa obrigavam a responder «a uma primeira urgência: fazer com que as políticas sociais dos nossos países sejam menos atractivas». E atacou as prodigalidades que atraem os refugiados para as costas do Velho Continente: «A ajuda médica do Estado permite que pessoas que chegam ao território sem respeitar as nossas regras [sejam tratadas gratuitamente], enquanto para os franceses pode haver até 50 euros de franquia».

Só lhe resta concluir o seguinte: «A perspectiva de beneficiar de uma política social atractiva é um elemento motriz. Deixámos de ter meios para fazer isto». Não se sabe se Brice Hortefeux imagina também que foi por se sentirem atraídos pelas ajudas sociais paquistanesas que 1,6 milhões de afegãos encontraram refúgio neste país. Ou que foi para beneficiarem das larguezas de um reino cuja riqueza por habitante é sete vezes inferior à de França que mais de 500 mil refugiados sírios já obtiveram asilo na Jordânia.

O Ocidente valia-se, há trinta anos, da sua prosperidade e das suas liberdades como de uma lança ideológica contra os sistemas que combatia. Agora, alguns dos seus dirigentes utilizam a desgraça dos migrantes para precipitar o desmantelamento de todos os sistemas de protecção social. Pouco importa a tais manipuladores do infortúnio que a esmagadora maioria dos refugiados do planeta sejam quase sempre acolhidos por países quase tão miseráveis quanto eles.

Quando a União Europeia não intima estes Estados, já próximos do ponto de ruptura, a «acabarem com o indigno negócio das embarcações improvisadas», ela ordena-lhes que se tornem a capa que a cobre, que a protejam dos indesejáveis, perseguindo-os ou detendo-os em campos."

Serge Halimi


Those who decided to flee from oppressive regimes and go into exile 30 years ago were admired in the rich countries of the West and acclaimed in the press. The view was that refugees had “chosen freedom” — a museum in Berlin honours the memory of 136 people who died between 1961 and 1989 attempting to cross the Berlin Wall.

Hundreds of thousands of Syrians, Somalis and Eritreans who are now “choosing freedom” are not welcomed with the same enthusiasm. (...)

Their deaths seem to have given some political figures pause for thought. On 15 October, former French interior minister Brice Hortefeux said the shipwreck called for an “immediate response: our countries’ social policies must be made less attractive”. He apparently assumed that extravagant generosity attracted refugees to Europe: “State medical care enables people who have entered the country illegally [to receive treatment free of charge] whereas French people may have to pay up to 50 euros ... The prospect of benefiting from an attractive social policy is a powerful incentive. We can no longer afford to provide that.” We do not know if Hortefeux believes that the 1.6 million Afghans who have sought refuge in Pakistan were lured there by its social services; or if 540,000 Syrians who sought asylum in Jordan escaped in order to enjoy the largesse of a kingdom where per capita income is seven times lower than in France.

Thirty years ago, the West used its prosperity and freedoms as an ideological weapon against the systems it opposed. Now some of its leaders are exploiting the distress of migrants to hasten the dismantling of social security. These manipulators of misfortune prefer to ignore the fact that the overwhelming majority of refugees worldwide are taken in by countries almost as poor as them.

When the EU is not insisting that these states, already close to collapse, “stop this unworthy business of unsafe boats”, it is urging them to become its buffer zone, to protect the EU from undesirables by tracking them down or holding them in camps."

Serge Halimi


"Il y a trente ans, fuir le système politique oppressif de leur pays valait aux candidats à l’exil les louanges des pays riches et de la presse. On estimait alors que les réfugiés avaient « choisi la liberté », c’est-à-dire l’Occident. Un musée honore ainsi à Berlin la mémoire des cent trente-six fugitifs ayant péri entre 1961 et 1989 en essayant de franchir le mur qui coupait la ville en deux.

Les centaines de milliers de Syriens, de Somaliens, d’Erythréens qui, en ce moment, « choisissent la liberté » ne sont pas accueillis avec la même ferveur. (...)

Leur décès semble avoir inspiré des responsables politiques européens. Le 15 octobre dernier, M. Brice Hortefeux, ancien ministre de l’intérieur français, estima par exemple que les naufragés de Lampedusa obligeaient à répondre « à une première urgence : faire en sorte que les politiques sociales de nos pays soient moins attractives ». Et il s’en prit aux prodigalités qui attirent les réfugiés vers les côtes du Vieux Continent : « L’aide médicale d’Etat permet à des personnes qui sont venues sur le territoire sans respecter nos règles [d’être soignées gratuitement], alors que, pour les Français, il peut y avoir jusqu’à 50 euros de franchise. »

Il ne lui restait plus qu’à conclure : « La perspective de bénéficier d’une politique sociale attractive est un élément moteur. On n’a plus les moyens de faire cela. » On ne sait si M. Hortefeux imagine aussi que c’est attirés par les aides sociales pakistanaises qu’un million six cent mille Afghans ont trouvé refuge dans ce pays. Ou que c’est pour profiter des largesses d’un royaume dont la richesse par habitant est sept fois inférieure à celle de la France que plus de cinq cent mille réfugiés syriens ont déjà obtenu l’asile en Jordanie.

L’Occident se prévalait il y a trente ans de sa prospérité, de ses libertés comme d’un bélier idéologique contre les systèmes qu’il combattait. Certains de ses dirigeants utilisent dorénavant la détresse des migrants pour précipiter le démantèlement de tous les systèmes de protection sociale. Peu importe à de tels manipulateurs de malheur que l’écrasante majorité des réfugiés de la planète soient presque toujours accueillis par des pays presque aussi misérables qu’eux.

Quand l’Union européenne ne somme pas ces Etats, déjà proches du point de rupture, de « faire cesser le business indigne des embarcations de fortune », elle leur enjoint de devenir son glacis, de la protéger des indésirables en les traquant ou en les détenant dans des camps."

Serge Halimi