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terça-feira, 31 de março de 2015

Assad é parte da solução






"O armamento que os EUA, a Arábia Saudita, Qatar, Turquia enviaram para combater o regime de Assad caiu nas mãos do ISIS e a Al Nusra, seja por via do poder de compra ou por meio da violência.

A Turquia e os EUA selaram um acordo para fornecer armamento ao chamado Exército Livre Sírio, nos finais de Fevereiro, mesmo depois de tudo o que se está a passar na região e bem sabendo que não há de momento qualquer alternativa a Assad, tanto mais quanto domina 13 das 14 capitais provinciais.

Se a política dos EUA, França, União Europeia e os seus aliados na região é desestruturar Estados, lançá-los em devastadoras guerras civis, levá-los a territórios etnicamente puros a viver com leis e tradições do tempo do califado, não pode haver dúvidas que o caminho é este. Mais ou mais cedo o Egito, a Tunísia, a Jordânia e o Líbano entrarão no ciclo de transformações idênticas.

[...]

É preciso um novo enfoque que não passe apenas pela mensagem das bombas, nem sobretudo por bombardeamentos, mas sim por uma abordagem que resolva problemas que parecem não ter solução por falta de coragem e por comprometimento. As declarações de John Kerry admitindo finalmente que Assad é parte da solução podem vir a ter peso numa saída para a crise na Síria.

Sem a Palestina independente e uma nova cooperação baseada no respeito mútuo e reciprocidade de vantagens e na Europa uma verdadeira integração dos emigrantes, não há resposta ao jihadismo. Haverá mais do mesmo em novas doses de terrorismo."

Domingos Lopes (in Jornal Público de 25/03/2015)

segunda-feira, 30 de março de 2015

domingo, 29 de março de 2015

Após 7 meses, à luz do dia


This weekend a friend sent us a picture from this painting. After seven months, here we see it at daylight. Looks nice :) Thanks to David. Abraço!

sexta-feira, 27 de março de 2015

Quintessential Art Movement Of The Twenty-First Century


"I describe post-graffiti practices as thoroughly connected to graffiti writing, yet ideologically and visually separate. Because of the prevalent use of figuration, legibility, and frequent socio-political relevance of street art, these art practices are constituents of the urban landscape that artfully communicate with both the citizens and the material structure of a city. The overwhelming pervasiveness of these coexisting art genres confirms that urban painting is a quintessential art movement of the twenty-first century."

Anna Waclawek

quarta-feira, 25 de março de 2015

Rodas e euros


«(...) não precisamos inventar a roda porque ela sempre esteve em nós. Sua presença corporal dispensou-nos da necessidade de descobri-la.»

Michel Serres

terça-feira, 24 de março de 2015

De ouvida pode ser incerto, mas de vista é certíssimo


«A verdade é a que eu vejo com meus olhos, que vos vejo estar, e vejo-vos viver, e não podeis vós viver sem terdes dias de vida. E aí não há melhor prova que a que se vê com os olhos. O que sabemos de ouvida pode ser incerto, mas o que sabemos de vista é certíssimo. (…) e pelo sentido dos olhos sintamos mais que por nenhum dos outros sentidos, segue-se que a eles devemos a mor parte do que sabemos.»

Frei Heitor Pinto (1528-1584)

segunda-feira, 23 de março de 2015

Tonalidade VERDE


Tal como acontece com o azul, as múltiplas e sutis variações dentro da família dos verdes, levam a um grande número de nomeações, procurando cada uma autonomizar a sensação psicológica provocada por cada variação específica. Eis algumas: verde-folha, cinza-oliva, turquesa, verde-bétula, verde-petróleo, verde-primitivo, verde-primavera, verde-maçã, verde-lago, verde-garrafa, verde-espinafre, verde-bronze, verde-cedro, verde-cloro, verde-água, verde-abeto, cáqui, terra-verde, verde-azulado, verde-alface, verde-cádmioverde-escuro, verde-esmeralda, verde-pálido, verde-máquina, verde-menta, verde-semáforo, verde-sapo, verde-veneno, verde-sujo, verde-sólido, verde-vitória, verde-turmalina, verde-veronês...

Cada Artista espontaneamente possui uma determinada paleta de matizes que mais caracteriza a sua obra. No nosso caso e no que respeita à tonalidade genericamente designada de verde, os valores de claro-escuro oscilam, sendo mais comuns os baixos do que os altos. A saturação é quase sempre forte, procurando-se que, mesmo quando a tinta se afasta da sua pureza e/ou seja aclarada, ela conserve a intensidade. Há ainda a particularidade de os tons verdes por que optamos serem primos do azul ou, se menos saturados, aproximarem-se da cor do musgo (aquilo que, na mistura de tintas, se obtém pela adição de um pouco de magenta ao verde). 

De resto, é notório que o verde não é a cor que mais utilizamos. Costuma ser secundarizado, as mais das vezes servindo apenas para refrescar o quadro, ou mais detalhadamente para conter o ímpeto vigoroso e o poderio abundante dos tons quentes. Se combinado com o vermelho e por via do contraste de complementares, o verde deliberadamente cumpre a função de acentuar a potência rubra.

domingo, 22 de março de 2015

Fissuras no Estado de Direito


"Concurso de professores: depois de instalado o caos nas escolas e da conversão de centenas de docentes em marionetas ambulantes, o ministro Nuno Crato pede desculpa e mantém-se no cargo. A cabeça que rola é a do director-geral da Administração Escolar, Mário Agostinho PereiraPlataforma Citius: depois de instalado o caos nos tribunais, com milhões de processos a ficarem inacessíveis, a ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz «assume integralmente a responsabilidade política» e pede desculpa pelos «transtornos» inerentes à paralisação dos tribunais. As cabeças que rolam são as de Rui Mateus Pereira e Carlos Brito, dirigentes do Instituto do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça. Pacote VIP: depois de se confirmar a criação de um sistema de detecção de acesso a dados fiscais relativos a «um grupo [de contribuintes] associado a pessoas com cargos políticos, mais mediatizadas», por altura do episódio da Tecnoforma, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, e a ministra da Justiça, Maria Luís Albuqueruque, de nada dizem saber. As cabeças que rolam são as de António Brigas Afonso e José Maria Pires, director-geral e subdirector-geral da Autoridade Tributária e Aduaneira.

O governo parece muito empenhado em deixar como legado uma nova noção de «responsabilidade política»: a que cuida de transferir sempre para os níveis inferiores da hierarquia as consequências concretas dessa mesma «responsabilidade», aplicadas a cordeiros prontos a degolar. Nada que surpreenda, se tivermos presente que a profunda regressão a que o país está a ser sujeito dificilmente se limitaria à destruição da economia e ao deslaçamento social, implicando também a deterioração gradual da vida política, da qualidade da democracia e a erosão do quadro de princípios do Estado de Direito."


Nuno Serra

sábado, 21 de março de 2015

A matéria na origem de todos os sentidos


«Pelo tacto sentimos a impressão que os corpos exteriores fazem no nosso corpo, sendo este um sentido geral. E todos os mais sentidos se fazem pelo tacto, mediato ou imediato, como bem observou Aristóteles, pois que os raios da luz chegam a tocar a retina dos olhos, o som toca e move o tímpano dos ouvidos, os corpúsculos que exalam os corpos odoríferos vão tocar as cartilagens dos narizes, as partículas das viandas, de que nos nutrimos, tocam as fibras da nossa língua, para os diferentes sabores.»

Manuel de Azevedo Fortes

sexta-feira, 20 de março de 2015

pensar e AGIR !!!



“O artista, o desenhador não preexiste à configuração artística que constrói. O pensamento do artista, o pensamento o desenhador, exige a componente material e construtiva como necessária para continuar a pensar e dar continuidade ao pensamento. Para o artista, a configuração artística é o encontro necessário com  a heterogeneidade da experiência física, técnica e sensível: o encontro essencial com o «artístico» e com aquilo que sustenta e dá continuidade ao seu pensamento: a subjectividade artística. As componentes materiais, técnicas, expressivas e ideais constituem directamente o pensamento, a ideia essencial de uma presença do corpo sem a qual não há lugar para o pensamento.”

Vítor Manuel Oliveira da Silva

quinta-feira, 19 de março de 2015

Estrada do Guincho (Street View)






As we said several times, Google Street View is delayed. Their pictures show some paintings that no longer exist and don't show some that do should be there. Anyway, this has been another fruitful and interesting search through the internet.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Hacer visible el pensamiento


«Dibujar es arañar tejiendo una red que atrapa las ideas; es iluminar ciñendo las formas con sombras; es resolver y ordenar una batalla de energías hasta hacer visible el pensamiento; y es, en definitiva, depositar ilusión sobre una superfície...»

Juan Bordes

terça-feira, 17 de março de 2015

Aguenta pelo menos 9 meses


Deliberadamente testamos a longevidade da cola que nós próprios fazemos e cuja receita já partilhamos.

Feita a experiência, podemos confirmar que a cola ainda conserva as suas propriedades adesivas passados nove meses, desde que conservada no frigorífico.

Chama-se a atenção para a conveniência do recipiente se manter fechado por causa do persistente odor a vinagre, cuja propagação é indesejável.

segunda-feira, 16 de março de 2015

A fortuna da minoria é a crise da maioria


"A dívida externa líquida da economia portuguesa é, diria eu, o desafio número um que se coloca a qualquer política económica em Portugal e vai ser assim durante vários anos. Temos, como é sabido, uma dívida externa que é das maiores da União Europeia e mesmo das maiores do mundo. 

Um outro dado que é particularmente preocupante diz respeito à posição financeira das empresas. Passámos de uma situação em que tínhamos empresas extremamente endividadas para uma situação de empresas que estão ainda mais endividadas.

Um outro aspecto que eu gostava de referir tem a ver com a ideia de que o ajustamento por que passámos favoreceu uma reestruturação da economia portuguesa, estando hoje melhor preparada para enfrentar os desafios da globalização. Se olharmos para o conjunto dos sectores, nós vemos que alguns dos sectores que são fundamentais para a afirmação competitiva da economia portuguesa (a indústria transformadora, os restaurantes e hotéis - que são a base do turismo -, a agricultura, silvicultura e pescas), têm hoje muito menos emprego do que tinham em 2008. A pergunta que devemos fazer é: está hoje a economia portuguesa menos exposta à concorrência por parte de países que baseiam a sua competitividade na mão-de-obra barata? A resposta é não.

Todos os sinais que levavam alguns analistas a considerar que Portugal estava em 2009 à beira do colapso estão hoje muitíssimo mais graves do que estavam em 2009."

Ricardo Paes Mamede