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domingo, 21 de Setembro de 2014

O velho assistencialismo castigador dos pobres


"O Estado continua a não ser capaz de se activar para promover em quantidade e qualidade as medidas de inserção a que se comprometeu no texto e no espírito da legislação que regula a medida [Rendimento Social de Inserção -- RSI]. Mais, o Estado tem vindo a transformar-se de parceiro para a inserção dos desfavorecidos em mero polícia dos "incumpridores" e "castigador" dos fraudulentos, na sua maior parte imaginários, como no caso dos depositantes milionários.

Hoje, com o alargar da crise, o Estado divulga dados que dão o número de beneficiários do RSI como estando em queda. Com o que sabemos da situação social do país, este é um indicador seguro da asfixia administrativa a que a medida está submetida. Nesta medida, como noutras, o país orgulha-se de diminuir a cobertura das políticas sociais quando os problemas se agudizam. E todos assistimos ao lento agonizar das medidas de política social activa, na luta contra a pobreza como no desemprego.

Hoje o Estado Social Activo é um projecto [...] sem apoio nem sequer compreensão das hierarquias e das direcções políticas, que voltaram ao velho assistencialismo e ao lado disciplinador dos pobres do liberalismo mais destituído de sentido de solidariedade.

Aos 18 anos, o RSI está doente. Contudo, ao contrário do que muitos vaticinavam em 1996, não desapareceu nem provocou nenhum cataclismo de despesa pública."

Paulo Pedroso

sábado, 20 de Setembro de 2014

Este Governo mente sobre o número de desempregados


"se entre o primeiro trimestre de 2002 e Junho de 2011 o número médio de «desempregados ocupados» rondava os 24 mil (que nunca chegaram a representar mais de 7% face ao número de desempregados apurado pelo IEFP), desde Setembro de 2011 o número de «desempregados ocupados» passou a situar-se, em média, nos cerca de 94 mil (atingindo-se o recorde de 171 mil em Junho passado), que representam aproximadamente 20% face ao número de desempregados do IEFP. O que significa, portanto, que 1 em cada 5 desempregados não é contabilizado enquanto tal, fazendo assim parte das situações de emprego fictício.
[...]
Se à manipulação estatística da formação profissional juntarmos a emigração e a «exportação de desempregados», a precariedade associada a uma parte significativa do emprego criado ou o peso relativo dos desempregados que desistiram de procurar emprego [...], percebemos como é frágil e ilusória a propaganda governamental em torno da redução do desemprego e dos «sinais» de retoma da economia. Confirmando, aliás, o fracasso da profecia dos partidos do governo, segundo a qual caberia à iniciativa privada (e ao esmagamento do papel do Estado) o papel de «chave-de-ignição» da suposta retoma (descobrindo-se contudo que mais de metade do novo emprego criado no último ano foi, afinal, subsidiado pelo Estado)."

Nuno Serra

sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Summer Series 2014 #7


Às portas do outono, derrete-se o verão europeu: foi bom enquanto durou.

Welcome autumn! Bye bye european summer: it was good while it lasted.

quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Haja sorte antes que amanheça


We are going out carrying a few cans. Let's see what happens... Let's hope we find a nice street to go for some bombing just before dawn. Wish us good luck! We wish you a beautiful day!

quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

O desemprego e os números mentirosos do governo


"Quem já não procura emprego há mais de seis meses também é eliminado das estatísticas. E assim com menos 300 mil emigrados, mais de 170 mil a fazer cursos de formação e mais uns largos milhares que já desistiram de procurar emprego, o desemprego comprime-se, compacta-se, é combatido e esmagado.

[...] A diretora-geral do FMI há-de começar mesmo a interessar-se pelo assunto e quererá novos dados, quantitativos e qualitativos. Quanto aos quantitativos, há de ficar espantada como um Governo que esperava mais de 17% de taxa de desemprego para este ano, já reduziu a sua pessimista previsão para pouco mais de 14%. Ficará, então, interessadíssima em saber como tal foi possível, que reformas foram feitas que deram tais resultados.

Alguém lhe terá então de explicar – ela seguramente chamará o dr. Vítor Gaspar, que é seu subordinado [...] Gaspar, de forma propositadamente lenta para ela perceber bem, dir-lhe-á o seguinte: em primeiro lugar, é preciso subir em 1/3 os impostos e cortar em 2/3 a despesa pública. Num segundo momento, é necessário subir os impostos em 2/3 e em cortar 1/3 na despesa. É também importante deixar disparar o desemprego [...] É igualmente importante que se diga ao povo que emigrar é uma grande oportunidade – e esperar que o bom povo perceba, emigrando de forma significativa. [...] A cereja em cima do bolo é colocar o Instituto de Emprego e Formação Profissional a fazer imensos cursos de formação. Como se sabe (a dra. Lagarde não sabe), quem está a fazer um curso de formação profissional deixa de contar para o desemprego."

Nicolau Santos

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Contestar e resistir


"Percorridas quotidianamente por milhares de pessoas, as artérias metropolitanas oferecem uma vasta plateia àqueles que pretendem comunicar com a massa indistinta. A materialidade urbana pode, assim, ser usada não apenas como mecanismo de ordenação da cidade mas igualmente como refúgio de resistência, contestação e inversão da ordem. Uma arqueologia das expressões insurrectas na arquitectura urbana conduz-nos aos inevitáveis exemplos das palavras de ordem do Maio de 68 Francês, às pichações e murais políticos no Portugal da ditadura e do pós - 25 de Abril, aos escritos e graffitis presentes no muro de Berlim ou na Palestina ou, mais recentemente, ao graffiti inspirado na cultura hip-hop de origem nova-iorquina.

Diversas situações, histórica e geograficamente longínquas, anunciam a capacidade de actuação dos cidadãos nos interstícios físicos e sociais da metrópole contemporânea. No quotidiano, diferentes pessoas, agindo solitariamente ou em grupo, apropriam-se dos recursos concedidos pela matéria urbana inserta num campo de visibilidade, operando na sombra da vigilância do poder, reivindicando uma voz através do único canal que lhes é acessível: o espaço público."

Ricardo Campos (antropólogo)

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Privatização dos CTT: lucro de alguns, prejuízo de todos


"Os CTT representam o que de melhor, em termos de igualdade, pode representar um serviço público. A capacidade de entregar uma carta, uma encomenda ou seja o que for em qualquer parte do território nacional, mesmo no local mais remoto, e por um preço que não muda consoante o local para onde vai ou de onde parte, é algo apenas possível por um serviço público assente numa lógica antagónica àquela que se hegemoniza e que leva à sua destruição. Como tal, a luta contra a privatização dos CTT não é somente a defesa dos CTT, é muito mais do que isso."

Diogo Duarte

sábado, 13 de Setembro de 2014

Um vasto império








"Eu tenho neste mundo um vasto imperio:
Meu nome em toda a parte, ou mais, ou menos
He venerado; mas na Luzitania
Tenho o pezo maior de minhas forsas."

Francisco de Paula Figueiredo (1792)

sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Summer Series 2014 #6


Um casal de gelados a derreter beijos românticos à beira-mar ;)

A romantic couple of ice creams melting loving kisses ;)

quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

Disintegration


The process of disintegration is a common concern in street art production. As time goes by, each day can be seen as a unique fleeting moment in the bustling layered skin of the city.

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Cutting Pilled Up Euros


Concentração empenhada e paciência serena é o que exige o demorado processo de desenho e corte de estênceis detalhados.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Para quando a revolução portuguesa?


"A ideia preconceituosa de que só sob condições de miséria biológica os trabalhadores têm disposição revolucionária de luta não tem fundamento histórico. Se assim fosse, a África subsariana estaria no epicentro das situações revolucionárias no século XX. Situações revolucionárias abrem-se quando uma sociedade desaba em crise nacional, a classe dominante se divide e emerge no mundo do trabalho a vontade de lutar em defesa de si próprios, sendo os porta-vozes de um outro projeto de nação, arrastando atrás de si uma maioria social, inclusive parcelas das classes médias. Estas situações tendem a ser internacionalizadas, rapidamente, em ondas regionais de extensão. Foi o que aconteceu em janeiro de 2011 na Tunísia, contaminou o Egito e alastrou como um vendaval no mundo árabe.

É preciso conhecer a realidade concreta para dizer qual será o limite dos portugueses. Serão diferentes do que foram os limites dos argentinos em 2001, ou dos bolivianos em 2003, ou dos egípcios em 2011. A experiência política da decadência nacional é um processo desigual. Porque as nações são distintas [...]

E devem entrar nesta equação da análise os fatores subjetivos. O humor social depende da perceção subjetiva. É sempre um processo de acumulação de mal-estar. Em algum momento a quantidade dá o salto de qualidade, e o cidadão médio fica furioso, o ódio ao governo alastra e contagia a maioria da sociedade. A vontade de derrubar o governo ganha a força de uma paixão política. [...] É a oportunidade histórica em que se abre a hipótese da transformação social. É a hora da situação revolucionária."

Valério Arcary